Arte conceitual
O que é? Sei o que é, hoje em dia é o predominante na arte contemporânea. Fiz alguns exercícios para aulas, mas nunca me apaixonei por esse modo de me expressar.
A foto de uma cadeira, a mesma cadeira encostada na parede e uma descrição da cadeira em texto. "Uma e três cadeiras" de Joseph Kosuth foi exposta em 1965 e é uma espécie de ícone desse modo de produzir arte. O cursinho Anglo estabeleceu uma explicação: A foto é pragmática, a cadeira em si é semântica e o texto é sintaxe.
Você entendeu? Entender parece fácil, pois trata-se de uma coisa simples. Engolir isso como arte parece ser mais difícil em 1965, pois mesmo em 2023 ainda tenho a cabeça fechada. No entanto tornou-se um fértil terreno de expressão para muitos artistas. Hoje a arte contemporânea é muito conceitual, incorporando todos os gêneros de expressão artística.
As obras de Cildo Meireles refletem seu engajamento político e a participação do público. O alinhamento com Duchamp e Kosuth é direta. . Para mim que produzo pinturas seria como um Caetano de Almeida alinhado com Pollock e Matisse. "Inserções em circuitos ideológicos: Projeto Coca-Cola"
Essas são obras históricas e é fácil encontrar minhas referencias, e muitas prescindem de ex´licação mas é preciso estar a par dos assuntos tratados. Uma passada de olhos nas obras, e aparece a luta contra uma opressão americana e pode-se transpor para todas as formas de opressão.
A pintura é retiniana e não serviria para ser arte conceitual, mas foi abraçada como arte contemporânea pelas inúmeras transformações ao longo dos anos. Alguns nomes como Paulo Pasta e Beatriz Milhazes são pintores e não vemos exemplos conhecidos de outra forma de expressão. Artistas como Adriana Varejão, Vik Muniz e Iran do Espirito Santo transitam em todas as formas de expressão, inclusive desenho e pintura.
Por algum motivo quero falar de Mel Bochner (1940) que não conhecia até pouco tempo,
Me interessei por um escrito, citando Husserl - Devemos voltar as coisas mesmo - onde explica sistemas e solipsismo. Nesse texto me interessei também pela primeira vez por Sol Lewitt e Carl Andre. A geometria e o módulo nesses trabalhos de 1960 e 70 deram um entendimento novo para mim. Não sei onde avançar mais que eles, mas fico contente por ter conhecido.
Visitei o site de Mel Bochner (http://www.melbochner.net/), e devo dizer que fiquei impressionado com a obra Kraus Campo (2005, Carnegie Mellon University, Pittsburgh, PA - http://www.melbochner.net/project/kraus-campo-2005/), "desafia a própria definição de jardim: é ao mesmo tempo jardim-como-escultura e escultura-como-jardim". Precisei ler o texto para entender melhor, pois de cara é um jardim, mas as referências do texto guiaram a apreciação da obra como um todo. Não sei se guiar a leitura é bom, mas gostei do li, acho que ficaria perdido sem essas luzes propiciadas pelo texto. As citações da ágora, do labirinto e de Wittgenstein para mim são fortuitas mas certamente fazem pensar por sua presença num espaço criado por um paisagista (Michael Van Valkenburgh) e o artista.
Arte conceitual, o que é? Acho que não precisa de definição, é o que se pensa sobre um assunto. O artista faz a obra para quem aprecia pensar por si quaisquer que sejam as definições. Mel Bochner faz isso.
No trabalho referente aos judeus (The Joys Of Yiddish, 2006-2015) não pude deixar de pensar nos em Hiroshima e Nagasaki no Japão.
Acho que a arte conceitual trata disso, ver uma imagem como se fosse uma literatura pelos pensamentos que traz.
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