Uma opinião é construída, com o gosto fazendo a lógica funcionar a seu favor.
Paulo Pasta, Caetano de Almeida e Beatriz Milhazes, Rodrigo Andrade, Henrique Oliveira, Nícolas Robbio e Jonathas de Andrade. Em cada um gosto de coisas diferentes. Paulo Pasta é a abstração e cor, Caetano de Almeida em algumas obras me lembra Pollock. Beatriz Milhazes é o desenho que lembra flores e uma técnica que gosto, como em Rodrigo Andrade, a camada espessa de óleo em algumas obras pequenas e abstratas. Nicolás Robbio faz arte com o cotidiano, é muito prazeroso ver as suas descobertas, e Jonathas de Andrade me impressiona sempre com os assuntos, um vocabulário de resistência.
Para mim são um tipo de inspiração. Umas curtas opiniões sobre o que atinge a mim desses artistas.
Paulo Pasta
Me fez entender a pintura. Como? A forma é a geometria e a pintura é a cor. O óleo dá uma cor com uma aparencia mais brilhante, é diferente do acrílico tem um brilho diferente. A cera de abelha também tem uma aparencia diferente. Não é a mesma coisa em materiais diferentes, é diferente. São quadros onde a cor e a materia são o assunto principal.
Caetano de Almeida
O jeito de fazer não é claro, dá para ficar olhando algo que seria simples, mas não é, pelo entrelaçamento, uma linha passa por baixo da outra, depois vai por cima, sem marcas de sobreposição aparentes. Isso intriga, fora a beleza da composição, as vezes com rebuscamentos, as vezes simples. Dá para imaginar o resultado mas não é fácil saber como chegou lá.
Beatriz Milhazes
A composição é a raiz. Círculos, flores e algumas manchas, algo que em parte é mal feito, mas me dá prazer em ver. Muitas cores, uma composição forte.
Rodrigo Andrade, as obras que gosto mais são as que pintou diretamente na parede de um bar. É óleo com uma espessura muito além do convencional dando uma qualidade única à cor.
Henrique Oliveira, como descrever. É escultura, é penetrável e tem formas orgânicas. Tem a cor do material, compensados tipo madeirit. Teve uma instalação gigantesca no MAC Ibirapuera em que usou outros materiais. Acho que ganhou de um lado pela dimensão e perdeu de outro pela redundância mas é igualmente impressionante.
Nícolas Robbio oferece uma leitura para objetos do cotidiano, me impressionou um sachê do açúcar União rasgado e colado, dando outra leitura para a palavra Uniao. Em parte lembra Cildo Meireles.
Jonathas de Andrade, envolvimento social coloca o suor do trabalhador ali, nos uniformes usados, a cartilha de alfabetização em fotos, o trabalhador rural do canavial em outra dimensão
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