domingo, 8 de outubro de 2023

 É mais fácil falar que fazer. 

Esta frase pode dificultar o fazer.  Ou pode valorizar o fazer. Você escolhe. É a base da democracia. O Brasil é uma democracia, a maioria dos regimes do mundo são democráticos, uns só no papel, outros na prática. Democracia entendo como luta constante pelo direito de continuar lutando. Tivemos no Brasil uma alternância depois do período ditatorial entre 1964-1985. Uma perspectiva histórica me coloca o país primeiro como uma colonia, o Pedro Primeiro e o longo reinado do Pedro Segundo, e agora uma república. Não posso dizer o que era certo antes, foi como foi e aí está. Temos uma Bienal cuja direção valorizou a luta visível no campo das artes.  

Uma parte significativa da arte está engajada em continuar na luta por direitos. Essa 35a. Bienal é um panorama claro dos lutadores da arte. Não gostei do nome, Coreografias do Impossível parece um termo guarda-chuva para caber todo mundo; no entanto parece adequado à medida que se conhece mais o evento. Acho que pode haver outros nomes que me agradariam, mas esse é poético e algo realista. Me desagrada um pouco a palavra impossível, pela falta de esperança que pode remeter a mim, mas outros podem dizer - faremos o impossível acontecer. Se esse for o caso, mais correto para mim seria dizer improvável ou coisa parecida. Mas Coreografias do Improvável talvez não soe tão radical.

A direção é um coletivo curatorial, com vozes múltiplas dirigindo a cena. As vozes das artes que não parecem coadunar com essa vertente tiveram outras edições do evento para se manifestar. Não é possível e talvez nem desejável colocar todos juntos.

Para mim essas escolhas remetem a Wittgenstein (1889-1951) e a Joseph Kosuth (1945), na validade das lógicas e filosofias inerentes a qualquer luta. Não sei porque comentar isso, parece apenas uma demonstração de alguma intelectualidade besta. Por outro lado parece oportuno duvidar das escolhas feitas como num telefone sem fio, colocando a lógica e a filosofia como argumentos para justificar os interesses em jogo.

Um lado da luta as vezes é herança, as vezes é escolha e as mudanças que aparecem em geral mostram esses interesses. Arte  pode ser como qualquer jogo, um lado tem que perder para o outro ganhar. Nessa exposição, então o jogo da arte faz parte de uma negociação, e aí os resultados não precisam ser duros ou inflexíveis.  

Na Bienal a cozinha é administrada pela Ocupação 9 de Julho, segundo Sergio Gag, uma das mais antigas manifestações do MSTC - Movimento sem teto do Centro. Tomando um café vemos as faixas, e eu entendi esse acontecimento como forma de dar visibilidade às lutas naquele espaço histórico. Não dá para deixar de associar Oscar Niemeyer nessa hora. 

 





Vejo mais problemas quanto à Lógica. Uma vez escolhida a base e definidos os parametros iniciais, ao avançar depara-se com novas escolhas e novas definições ad infinitum. Para uma lógica funcionar, o limite é fundamental. Assim há menos variáveis para trabalhar a lógica.

Então não há sistema perfeito, mas pode haver pequenas belezas quando se limita um problema e ele ao final, zera ou atinge sua estabilidade.

Gosto de pensar nisso mas nunca cheguei em nenhuma conclusão, e acho que outros a atingem. Um filme, uma obra, um escrito seguem a lógica começo-meio-fim para fazer sentido.

Essa tautologia garante muitos resultados, e só pode ser contraposta quando essa lógica é posta em dúvida, por não ter um fim conclusivo, como uma fábula. Algo como um loop - citando uma camera que sempre volta como naquele conto argentino.

A arte está em como contar essa estória.

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