quarta-feira, 15 de novembro de 2023

 Beco sem saída para mim

A arte é controlada pelo interesse dos poderosos. Países com mais poder tem mais arte, própria ou adquirida ou roubada. Beco sem saída: e daí? Nos países que estão no páreo pelo poder, arte é um dos meios de seguir adiante na briga, por abrir novos caminhos, novos modos de pensar os mesmos problemas: controlar a multidão para ela se comportar como o poder quer. Nos países que lutaram pelo poder emanando do povo, como USA, tem artistas como Andy Warhol e na Inglaterra como Hamilton, pois nesses lugares faz sentido o popular POP. Porque não tem POP na Alemanha ou China? Na Alemanha, vinga melhor Kiefer e outros lambendo feridas da guerra; na China, uma ditadura cria Ai Weiwei contra o regime, com todas as similaridades e cópias dos valores americanos na arte, Weiwei morou em NY.

E no Brasil, Adriana Varejão e Cildo Meireles, descolonização e antiditadura, Beatriz Milhazes e o decorativo abstrato mais para USA. 

Beco sem saída porque não está em mim nem descolonização e antiditadura, sou mais Beatriz Milhazes. No entanto, a minha educação passou pela ditadura e pela antiditadura, pela colonização como algo bom e pela descolonização como algo bom.

Só quero desenhar e ganhar a vida com isso, mas a arte pode ser um campo de batalha para esses lados de questões que quero saber, mas não tenho interesse em escolher, e se for para escolher quero ficar no lado que ganhar. Só que essa é uma luta sem fim, e uma hora vou ter de escolher? 

Pela educação, curiosamente estou do lado da linha à esquerda, todo o poder para o povo, mas minha japanidade grita pela direita, o povo não sabe o que é bom. Só que a japanidade tem a educação japonesa, os lideres japoneses. Aqui é um balaio de gatos, um fim do mundo, igual aos USA, mas outra posição geografica e politica.

Enfim, beco sem saída se resolve com escolhas. E sou muito criança para saber escolher. Tenho muitas informações, mas quero escolher o lado que vai ganhar, o que não dá. Ora ganha um, ora ganha outro, Todos tem preços a pagar. Não quero pagar nenhum.

Meu coração é confuso. Nem quero olhar minha realidade. E arte te obriga a fazer isto, agora que estudei onde estudei: a USP é um antro político. E isto é a ultima coisa que eu queria e esperava, só queria continuar estudando, enchendo minha bolsa de informações tão queridas, tirar 10, ser aprovado e seguir em frente sem ter que pensar.

Beco sem saída, hoje é a unica coisa que sei fazer, por sinal muito mal, muito amador, muito sem esforço. E o lado direito diz para acreditar e seguir em frente e ver o que vai dar.

Beco sem saída, meu coração vai para a esquerda. Luizito me chamou atenção para a beleza que há quando se escolhe a esquerda.

De repente me sinto apto a fazer mestrado, parece que tenho um rumo a seguir. Acho que me faltam instrumentos, sempre faltarão. A revolução não é em casa. 





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