Distopia e Utopia na fantasia
Jim Knopf e Lucas o maquinista, autor Michel Ende, 1960 - produção alemã para Netflix, 2018
Livro infantil, autor de Neverending story
Faz muito tempo que não vejo um filme em que ninguém morre, os castigos são leves e os dilemas são resolvidos com certa rapidez. Há poucas dúvidas, há muitas certezas. Há um bom geral, uma bondade geral predominando. Politicamente correto, acho que boa parte das etnias estão ali no tempo congelado da fantasia.
Me fez bem. Posso fazer julgamentos, dar alguma opinião contrária. O que me leva a algumas situações presentes na minha vida. Não tenho uma balança apontando em uma direção só? Minha opinião gosta do filme, uma certa intelectualidade aprendida diz que a realidade não é assim. E não é mesmo. As pessoas até um certo ponto concordam. Depois, as discordâncias existem. Há uma proposta de coexistência pacífica, e os vilões são aqueles que retiram o balanço disto, mas não recebem castigos, porque se redimem.
Seria bom se o mundo fosse assim. Tudo dá certo ao final de um capítulo. Seria bom ter alguns filmes assim também. A faixa etária é 8-11 anos. Talvez acreditar em Papai Noel de vez em quando traga algum alívio para a realidade. A fantasia de um mundo perfeito é um índice, o mundo não é assim, tem guerras, violência e tudo de ruim. Mas perto da gente, todo mundo se comporta como se fosse tudo bem, normal.
Venho pensando que a vida passou e alguma coisa deu certo, alguma coisa deu errado, e segui, estou vivo ainda. Tenho muitos arrependimentos, mas não saberia fazer melhor, nem que quisesse. Se eu fosse perfeito, mas não sou.
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