sexta-feira, 3 de novembro de 2023

 Tendo a ser auto centrado e egoísta, na pintura e na escrita. Estava vendo meu caderninho favorito, e me chana atenção o dizer "Julio Plaza Gonzalez, MAC 401,41 p723t Tradução Intersemiótica". Pensava que queria colocar nesse caderno coisas da minha rotina em 2012.  Passou pela cabeça que isso é rotina de acadêmico, e é verdade, em parte - não sabia quem era Julio Plaza, que figura como um grade artista e professor citado por alguns. Hoje não lembro mais o que pesquisei, só o nome restou. Tenho pensado que não é exclusividade minha isso, de ter algumas curiosidades e pesquisar a respeito, para logo esquecer.

Na minha vida, isso é rotineiro, tenho muitas curiosidades, pesquiso e esqueço. Algumas ficam. Muito menos que gostaria. Mas a quantidade é grande, o mundo é vasto, as atividades são muitas e eu tenho a tendência de ser um sabe-tudo, aquele chato que quer saber tudo de tudo, opinar sobre tudo, dar pitaco em tudo. Quando vejo alguém fazendo isso dou risada, mas não enxergo isso em mim quando faço.

A conclusão atual é de que isso é inevitável em mim, pois sinto vontade ou compulsão a fazer assim. Ao longo da vida, refreei esse instinto o quanto pude, mas provavelmente vazou o tempo todo sem eu dar conta disso. Algumas pessoas me aceitaram assim.  Recentemente tenho feito mais  exercícios de autocrítica nesse sentido.

Esses dias tenho pensado que tudo que fazemos e dizemos, quando há sinceridade há uma direção que nao precisa lembrar, apenas sai - ou seja, penso e falo, sem filtros, ou com filtros assimilados pela etiqueta ou pela doxa (Giorgio Abambem).

Da mesma maneira, a pintura é assim. Pode haver piores ou melhores imagens, mas a sincera, aquilo que dá vontade de fazer é a melhor, Tem desenho que faço porque tenho de desenhar, e não sai bom. Tem desenho que quero que saia bom, e não sai. E tem desenho que sai bom.

É saber? É intuição? Esses dias tenho pensado que é vontade não forçada, vontade que vem, que eu sinto.

Uma coisa, não tem obrigação de ser bom, mas tem de ir até o fim delimitado (não há fim, para mim, a abstração não tem fim).

Começar e parar tem sido um processo de produção, mas não tem alcançado resultados, Outro dia, peguei um desenho sem esperança, e me pus a fazer listas de artistas no pano de fundo. Funcionou como uma textura e me deixou mais satisfeito por ter uma leitura e uma importância em si, pois os nomes ali são importantes de algum modo.

Apliquei em retratos do Gag, do Jeff e do Batman, na rua do Santa Madalena. Gostei, Ficou melhor que antes, apareceu uma direção e me deu mais ideias. Pesquisei nomes que tinha esquecido e outros que não sabia, em livros (Inhotim) e internet (Tate), Coloquei o inicio do Prefacio do Jochen Volz desse catalogo do Inhotim, um texto rende muita textura.  Não posso dizer que ficou bom o todo, mas tem partes que gosto. A imagem me parece que sobra, diferente de faltar, parece que coloquei coisa demais e misturei elementos que não combinam - melhor falando, meu desenho com desenhos de detalhes de obras de arte. Se não ficou um todo bom, essa ideia de colocar detalhes de obras me pareceu boa, são citações imageticas, uma coleção de imagens.  Tirei isso de coleção de imagens de um video, essa coisa que eu faço é um tipo de coleção. Aí eu tenho elementos para pensar, questionar e ir em frente.

Também pensei que faço essas coleções de nomes para me informar melhor.  Quando não tinha isso em mente, parecia não haver um sentido em gostar de fazer listras e listas. Como coleção parece que há algum sentido.

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